Quando a troca vale a pena

A portabilidade leva o empréstimo para outra instituição, mantendo o saldo devedor e a garantia como estão: o que muda é a taxa e, se você quiser, o prazo. Em vários países a troca é gratuita por lei — na Itália desde 2007; no Brasil a portabilidade de crédito é um direito regulamentado pelo Banco Central, sem tarifa para o cliente pela transferência. Quando é assim, a comparação fica excepcionalmente limpa: a taxa atual de um lado, a oferecida do outro, sem nada pesando.

A comparação precisa ser feita no mesmo prazo, e é aí que costuma dar errado. Uma oferta que estica a data final mostra uma parcela menor, e essa parcela menor não é economia: é a mesma dívida espalhada por mais anos, que normalmente custa mais juros no total. Por isso, ao lado da economia na oferta como está, esta calculadora sempre mostra o que você obteria mantendo o prazo atual.

O que resta é quanto ainda falta. O ganho da troca se acumula parcela a parcela, então vale muito com quinze anos pela frente e pouco com três. E como a Tabela Price concentra os juros nos primeiros anos, trocar cedo vale muito mais do que trocar tarde para a mesma diferença de taxa.

Erros frequentes

  • Comparar parcelas sem olhar os prazos. Uma parcela menor em um prazo mais longo não diz nada sobre a economia: compare os juros totais, ou as parcelas no mesmo prazo.
  • Usar o valor original em vez do saldo devedor. A portabilidade leva o que ainda se deve, não o que foi emprestado no início: partir do valor original infla todos os números.
  • Trocar por uma diferença mínima de taxa com poucas parcelas restantes. O ganho se forma com o tempo: com três anos pela frente e meio ponto de diferença, a economia muitas vezes é irrisória perto do trabalho de refazer o pedido.

Perguntas frequentes

Quanto custa a portabilidade?

Depende de onde você está. Na Itália, nada para quem tomou o empréstimo: desde 2007 os custos de avaliação, contratação e cartório ficam com a nova instituição. No Brasil a transferência em si não pode ser tarifada ao cliente, mas podem existir custos acessórios. Informe-os aqui para ver quantas parcelas levam para se pagar.

Dá para alongar o prazo na portabilidade?

Sim, a nova instituição pode oferecer outro prazo. Mas uma parcela menor obtida esticando o prazo não é economia: em geral custa mais juros no total. Aqui você sempre encontra também a comparação no mesmo prazo, que isola o efeito só da taxa.

Dá para passar de taxa variável para fixa?

Sim, e é um dos motivos mais comuns da troca: de uma taxa variável para uma fixa, ou o contrário. Informe a taxa fixa oferecida como nova taxa e compare os juros totais.

Meio ponto de diferença justifica a troca?

Depende de quanto ainda falta. Em quinze anos sobre um saldo considerável, meio ponto vale milhares; em três anos vale pouco. Olhe a economia no mesmo prazo, não a distância entre as taxas.

Como funciona este cálculo

Parcela atual: R = D·i/(1 − (1+i)^−n), com D o saldo devedor, n as parcelas restantes e i a taxa atual do período. Nova parcela: a mesma fórmula com a nova taxa e, se informado, um novo número de parcelas. Juros totais de cada lado: parcela vezes o número de parcelas, menos o saldo. Economia mensal: a diferença entre as duas parcelas. Economia no mesmo prazo: a nova oferta recalculada sobre as parcelas que restavam, para que a diferença dependa só da taxa e não do alongamento. Ponto de equilíbrio: custos divididos pela economia mensal, arredondado para cima; se a nova parcela não for menor não há ponto de equilíbrio, e isso é dito em vez de calculado. Economia líquida: os juros economizados menos o custo da troca.